Friday, April 26, 2013

Strange Case of Dr Bilontra e Mr Baixaria

Até ontem, achava eu que o curso de direito atraia absolutamente todos os descerebrados egressos do ensino médio.

Abre parenteses

Não, eu não estou dizendo que todos os estudante e profissionais do direito sejam babacas. Há exceções à regra. Alguns até que são "legaizinhos". Mas o inexistente leitor que conhece o meio jurídico, há de convir comigo que a proporção 'babacas/caras-legais' nas cadeiras do curso de direito não é muito favorável.

Fecha parenteses

Relata minha estimada Kathiely, com quem possuo laços matrimoniais, ter ido ao médico, o qual chamaremos de Doutor Bilontra, para obter um atestado que lhe autorizasse a frequência em aulas de natação. Tal atestado é se suma importância, é uma exigência da escola de natação, que, com razão, não quer suas piscinas infestadas por pessoas com perebas pustulentas na pele.

No entanto, ao invés de analisar a pele de Kathiely em busca de anormalidades (que ele certamente não encontraria, pois a cútis de Kathiely é alva e macia, não possuindo absolutamente nenhuma imperfeição), o supramencionado Doutor Bilontra se resumiu a perguntar: "você possui algum problema de pele?", ao que Kathiely obviamente respondeu "não". Satisfeito com esta singela resposta, o retromencionado Doutor Bilontra sacou seu bloquinho e atestou que minha estimada Kathiely estava apta a sacolejar seu esguio corpo na água.

Dum sujeito formado no curso de direito, tal atitude seria compreensível, pois, como se sabe, a desídia e a negligência são marca registrada daqueles que ostentam orgulhosamente em suas paredes um diploma de "baixaria de direito". Mas vindo de alguém que teve que efetivamente estudar pra passar no vestibular, e ainda ficar sete anos em uma faculdade onde a frequência e as notas são levadas em consideração para se obter um diploma; pô, sacanagem, Doutor Bilontra.

Estarão os "baixarias de direito" contaminando toda a sociedade brasileira com sua preguiçosa desidiosidade?" (desculpem o pleonasmo) Se sim, estamos todos perdidos!

Han shot first!

Dia desses, não sei ao certo por qual motivo, resolvi dar uma lidas nas publicações mais antigas deste malfadado blog. Nem bem havia terminado a primeira página, senti profunda vergonha de que alguém já pudesse ter lido aquele monte de asneiras. Deus, eu era mesmo um sujeito amargurado, um pseudo-rebelde sem causa.

Assim, tal qual George Lucas, resolvi alterar ou suprimir parte de minha gloriosa obra.

Não que alguém se importe, obviamente. Mas tal medida se faz necessária para diminuir as chances de alguém "me meter no pau"; e, acaso eventual ação de indenização por danos morais c/c pensão vitalícia chegue ao Olimpo, talvez os Deuses Togados sintam um pouco de compaixão pela minha pobre alma.

Friday, April 19, 2013

MM. Ex. Sr. Dr. Wilson

Esses dias, eu estava lá no fim do mundo exercendo meu nobre munus, que consiste em arruinar a vida das pessoas, quando recebo uma ligação de Wilson, antigo personagem deste blog.

Wilson, que mora no interior do estado, onde as casas são em estilo enxaimel e as vaginas são mais áridas que o deserto do Sahara, desejava um favor. Wilson narrou via telefone seu drama particular. Ele havia feito um concurso para Desembargador e desejava recorrer de umas questões para garantir sua sonhada tetinha vitalícia junto ao polposo erário. Bem da verdade, Wilson tinha obtido nota suficiente para ser aprovado e o que ele queria mesmo, era disseminar o caos tumultuando o certame. De qualquer sorte, era necessário que eu me dirigisse até o Olimpo do Judiciário, onde residem os Deuses e seus aduladores, e obtivesse cópia da prova por ele realizada.

Parecia fácil.

O Monte Olimpo é um lugar mágico, formado por duas grande montanhas de aço, concreto e vidro. Em seu topo, os Deuses, seres iluminados, residem e emitem seus julgamentos. O lugar também é lar de criaturas desprezíveis, um subtipo dos "baixarias de direito", que parasitam os Deuses, e se acham imbuídas de todo o conhecimento jurídico do mundo. Mais que possuir tirocínio jurídico, para ser aceito entre os parasitas, é necessários usar camisas polo da Tommy Hilfiger e dirigir carros tunados pagos pelo papai.

Enfim, já no lobby do Olimpo, vários parasitas desfilavam pomposos, desejosos de um dia ascender ao topo. Subi sofregamente os 11 andares. Nem bem sai do elevador, vi que uma fila se estendia por vários metros, inciando-se em frente a uma porta intitulada "Comissão de Concurso".

Como estava próxima do topo, regozijei ante a possibilidade de que não haveria vermes por perto. Ledo engano. Aquela fila era composta exclusivamente por outro subtipo de "baixarias de direito", os vermes que são tão assoberbados de si mesmos que sonham em virar "autoridade", a fim de que possam tratar os outros como lixo, vulgo "concurseiros". Pensei em me jogar da janela.



Naquele momento, cercado de vermes, cheguei até, em pensamento, a maldizer pobre Wilson. Mas não, Wilson é boa gente e precisava da minha ajuda, e se tem alguém que merece ficar milionário mamando nas suculentas tetas do governo, era Wilson. Por hora, resolvi não me jogar.

Prosseguindo. Como é costumeiro quando se reúnem mais do que dois vermes no mesmo ambiente, inicia-se uma competição velada para ver quem é o melhor. Normalmente ambos são uns merdas. Mas enfim, as discussões de cunho jurídico-filosófico que não levam a lugar nenhum já haviam iniciado. No caso em comento, discutia-se o fim do prazo para recorrer. Uns sustentavam que seria no dia seguinte, sexta-feira, outros, na segunda-feira. Nisso, um japinha que era o próximo da fila entrou na Comissão, enquanto a discussão acalorada continuava do lado de fora. Passados alguns minutos, o retromencionado Japinha saiu da sala e informou, na sua ingenuidade, que ele teria indagado à comissão, e que a informação oficial seria de que o prazo era até segunda.

Pobre Japinha, não sabe ele que os vermes detêm todo o conhecimento jurídico do mundo?! Em sua soberba ignorância, um verme baixaria em direito está sempre certo! Obviamente, um dos vermes, vociferou em resposta: "mas o edital do concurso prevê apenas dois dias de prazo, que acabam amanhã. O edital é a lei do concurso. E se a comissão estiver errada? Serei eu punido pela burrice deles?!".

Findo seu discursinho, o sujeito lambeu os lábios com sua língua peçonhenta e arregalou os dentes num sorriso macabro, certo de que era o melhor ser humano naquele corredor.

Tive que me conter para não pular ali do 11o andar. Ser esmagado contra o concreto não podia ser pior que ter que ouvir esse tipo de coisa. Mas não, só eu poderia ajudar Wilson. Eu tinha que conseguir. Wilson merece ficar milionário, e, por tabela, arranjar um cargo de parasita pra mim.

Após cerca de uma hora e meia naquela fila, durante os quais várias vezes questionei o sentido da vida, finalmente consegui o documento que iria catapultar Wilson para a classe A+.

Mandei para Wilson o negócio e voltei pra casa.

Ainda meio tenso e entristecido pela miséria humana, acessei o Red Tube para dar uma relaxada, e, enquanto eu assistia uma esmilinguida garota ser sodomizada por 10 caras, tive um insight, e vi no rosto daquela pobre menina, o rosto de todos os vermes que eu havia visto no Olimpo. Pobres diabos, eles são mais dignos de pena que de desprezo, seus pequeninos sonhos de ter o carro mais tunado da rua, ou a mulher mais siliconada do prédio. Não sabem que isso é tudo uma ilusão? Naquele momento, ainda com as calças arriadas, esqueci de meu ódio e desejei apenas poder abracá-los todos e mostrar a eles o verdadeiro sentido da vida.

Tuesday, December 11, 2012

O monólogo do gaúcho

Comprovando minha teoria de que gaúchos falam demais, normalmente compartilhando informações que não me interessam, eis o que me aconteceu ontem:

O mandado era de intimação. A guria, uma gaúcha, tinha que apresentar uma documentação em juízo, no prazo x, sob pena de ser processada criminalmente.

Fui no endereço, bati palmas, pois a casa não tinha campainha, veio a moça e eu regurgitei meu discursinho. Em qualquer outra residência, a pessoa teria assinado a parada e eu teria vazado, mas não na casa de uma gaúcha.

Ela passou então a contar toda sua jornada de vida até aquele momento, enquanto eu, silentemente, assentia com a cabeça.

Passadas algumas horas, a história parecia chegar ao fim, e eu sentia que a conclusão estava próxima; mas não, o monólogo do gaúcho nunca tem fim, ela ainda tinha uma informação muito relevante para compartilhar com um oficial de justiça que ela acabará de conhecer:

"(...) meu dia tá terrível, acabei de descobrir que meu namorado tá me traindo, e agora isso (...)"

Lá no Rio Grande não é assim

Se tem um povo que gosta de falar, é o gaúcho. Eu, de outra banda, sou tão inapto ao convívio social, que evito a qualquer custo o contato com outras pessoas.

Lá onde eu trabalho, em que pese solo catarinense, 99% da população é composta de sujeitos oriundos do Rio Grande.

Assim, qualquer intimaçãozinha, por mais simples que seja, e que em outras situações demoraria 60 segundos para ser cumprida, na casa de um gaúcho pode se arrastar por horas sem fim; e, muitas vezes, a "conversa" acaba tomando os rumos mais inimagináveis.

Dia desses, lá fora eu citar um gaudério. Normalmente, eu chego na casa da pessoa, toco a campainha, vomito meu discursinho padrão, a pessoa fica indignadazinha, mas acaba assinando a parada e eu me vou. Coisa que, como dito acima, dura só alguns minutos. Mas não na casa de um gaúcho. Primeiro o cara vai te contar toda a história da vida dele até chegar no dia em que os fatos ocorreram, como forma de justificar suas ações. Em seguida, passará a desqualificar o autor do processo, com argumentos do tipo "lá no Rio Grande não é assim, nesta cidade só tem picareta, blablabla". Como sou um cagalhão, normalmente fico ouvido passivamente a toda essa chorumela.

Então, após me identificar e ler os termos do mandado, lá se foi o gaúcho contar toda sua trajetória de vida e maldizer o autor. Contudo, não satisfeito, passou, em seguida, a desqualificar o advogado do autor:

"(...) esse cara aí, gasta todo o dinheiro dele com puta, nada contra, por que eu também gosto duma putinha de vez em quando, até por que, quando o cara chega numa certa idade, só indo na zona mesmo pra comer um negócio melhorzinho, mas esse sujeito ai só pega aquelas puta barriguda, daquelas bem acabadas mesmo (...)"

Enquanto isso, eu pensava para comigo mesmo "Oh, deus, mate-me agora..."

Wednesday, September 12, 2012

Bolas de Aço

O sol inclemente irradiava seus nocivos raios sobre meu fatigado e esquálido corpo. Uma pequenina, porém gélida, gota de suor lentamente escorria por minha bola direita. Aquela fugaz sensação de refrescância em meu saco escrotal trazia algum alento na íngreme subida. Porém, a cada passo dado, mais eu tinha certeza de que não chegaria consciente ao topo daquele morro. A qualquer momento um mal súbito acometeria meus sentidos, eu desfaleceria ali mesmo, meu corpo rolaria desgovernado morro abaixo. Em seguida, meus bolsos seriam saqueados por favelados esfomeados.

Felizmente, consegui chegar ao endereço indicado e, com minhas últimas forças, bati palmas, e esperei algum sinal. Tinha que ter alguém em casa. Eu não queria ter que voltar naquela merda de lugar.

Uma mocinha apareceu na janela. Era a pessoa procurada. Ainda meio esbaforido, iniciei meu monólogo padrão monotonicamente.

Em resumo, a guria tava sendo intimada para ir numa audiência.

"Ah, mas do que que é isso?", a mocinha perguntou.

"Olha, minha senhora, eu sou um reles carteiro do fórum, um mero entregador de intimações, um portador de péssimas notícias; o processo eu não conheço. Contudo, pelo título da ação, presumo que você tenha feito um boletim de ocorrência por agressão contra fulana de tal, sendo que referido procedimento foi encaminhado ao fórum, onde é realizada uma audiência de conciliação", respondi.

"Ah, ela me bateu mesmo, mas eu também dei umas porradas nela. É que ela chutou meu cachorro, sabe", ela comentou com a maior naturalidade.

"Deus, toda a necrosada máquina da justiça foi acionada por que alguém chutou o cachorro do vizinho", pensei para comigo, "que merda de judiciário", foi o que eu deveria ter falado, mas apenas soltei um mecânico "assina a minha via, por favor. Obrigado e boa sorte."

Putanheiro-Mor

Houve um tempo em que eu trabalhava com um sujeito singular, Putanheiro-Mor, cujas supostas façanhas sexuais eu costumava relatar em meu antigo blog.

Lembro-me com saudosismo de seus ensinamentos de cunho erótico.

Até seu vocabulário era imbuído de sensualidade, de onde se tirava expressões como:

- Essa banana já deu cacho: utilizada para se referir a uma mulher com quem já se tenha praticado conjunção carnal.

- Molhar o bigode: referência ao ato de praticar sexo oral em uma mulher.

O que terá sido de Putanheiro-Mor? Será ele ainda um pacato burocrata que, ao cair da noite, sai pelas ruas de Isla Pequena a procura de sua próxima vítima? Terá sua lascívia doentia sossegado?

Onde estás, velho mestre?