Hoje fui cumprir um mandado de intimação numa longínqua localidade da Ilha da Magia.
Cheguei na frente da casa e tive que bater palmas, sentido-me um completo paspalhão, uma vez que Florianopólis é uma cidade em que as residências não tem campainha.
Dai tá, me aparece a intimanda de pijama, pra variar. Isso numa segunda-feira às 11h da manhã.
Enfim, inicio meu monólogo padrão. A mulher assina a parada e eu dou uma via do mandado pra ela.
"Mas que que eu faço agora?", a mulher pergunta.
Faço uma longa explanação sobre o que ela deve fazer, a qual poderia ser resumida em uma única frase: "ligue pro seu advogado, mas antes que eu conclua meu raciocínio, a mulher me pergunta "tu é de onde?"
"Como assim 'de onde eu sou'"?, indago, aturdido.
"De que estado tu é?", ela torna a perguntar.
"Sou de Santa Catarina mesmo, de Blumenau", na realidade, como é do conhecimento dos inexistentes leitores deste blog, eu sou de Gaspar, mas quando me perguntam de onde eu sou, sempre digo que sou de Blumenau, por que ninguém conhece Gaspar, dai se eu digo que sou de Gaspar, nego faz aquela cara de cu e eu tenho que ficar explicando onde fica a porcaria da cidade de Gaspar no mapa de Santa Catarina, o que, no fim, não faz diferença nenhuma, por que o cara nem vai passar a saber onde fica Gaspar depois da minha explicação, inclusive por que, niguém dá a mínima pra Gaspar. Assim, eu facilito a vida de todos simplesmente dizendo que sou de 'Blumenau', que é uma cidade igualmente ruim, vale mencionar.
"Ah", ela diz, "é que eu sou de São Paulo, e tu não tem sotaque de catarinese, tens sotaque de paulista ou paranaense".
"Porra, sotaque de paulista/paranaense? Tá me tirando, mano? Perdeu a noção do perigo, o medo da morte? Ninguém me chama de Paulista, ou, pior ainda, de Paranaense", foram as palavras que me passaram pelo celébro naquele instante.
Contudo, externalizo apenas um consternado balançar de cabeça e os lábios contraídos. Despeço-me. Parto, em silêncio, pra próxima casa sem campainha.
Monday, September 12, 2011
dependência + internet + tratamento
Wednesday, September 7, 2011
reality show com lutadores de MMA
Então, essa semana, fui cumprir um mandado de intimação lá na região noroeste da Ilha da Agônia.
Após ficar meia hora batendo palma e buzinando na frente da casa de nº 210, me aparece na janela a intimanda. Era uma segunda-feira, 13 hrs da tarde, e a mulher tava dormindo. Porra, que tipo de pessoa tá em casa às 13 hrs da tarde de uma segunda feira dormindo?!
Mas enfim, me identifiquei, li o teor do mandado e pedi pra ela assinar a minha via.
"Ah, e seu eu não quiser assinar?", foi a primeira coisa que saiu da sua boca.
"Pra mim isso é indiferente, minha senhora, eu tenho fé pública e vou simplesmente certificar que a senhora se negou a assinar o mandado", foi minha resposta.
"Ah, então bota ai que eu não tava em casa", ela sugeriu...
Thursday, August 25, 2011
sem meias palavras
Os tópicos da reunião seriam: apresentação dos dois novos Oficiais de Justiça, plantão dos Oficiais de Justiça e a criação de uma nova zona de atuação dos Oficiais de Justiça daquele fórum. No entato, nenhum desses assuntos foi discutido, pois mal começou a parada, eu pude testemunhar um dos espetáculos mais lamentáveis (e engraçados) da minha breve carreira como funcionário público.
É que do nada, uma antiga animosidade entre os dois Oficiais mais antigos do fórum, um cara e uma mulher, eclodiu e os dois passaram a se agredir verbalmente, na frente da negada.
O momento mais hilário (e tenso) do negócio, foi quando a mulher se levantou da cadeira e, com o dedo indicador em riste, chamou o cara de "picareta" e que, se necessário "metia a mão na tua cara", ao que o sujeito replicou: "bate em mim se tu é mulher então". Ao fundo, assustada com toda aquela baixaria, uma outra funcionária começou a chorar.
Já tô vendo que vou conseguir muito material de qualidade pra publicar nesse blog trabalhando ali.
Saturday, August 20, 2011
Gotham needs me
Meu gabinete será todo aveludado, com móveis em estilo art déco e vista para a Beira-Mar Norte, onde, diariamente, toda a merda produzida pelos moradores da Grande Capital é despejada sem qualquer tipo de tratamento.
A par de minha funções como julgador do destino dos homens comuns, utilizarei minha quitinete de 2m² como locação da continuação do clássico filme "As Diabas Catarinenses".
Friday, August 19, 2011
No clichê shall escape my sight
Essa semana estreou aquele filme "Lanterna Verde", nos cinemas. Não fui vê-lo ainda, mas, ao que tudo indica, dessa vez os roteiristas debéis mentais de Hollywood foram longe demais.
Bem, de início, o fato de, num planeta com mais de 6 bilhões de pessoas, 6 continentes, 192 países, os alienígenas bonzinhos terem escolhido um americano pra ser o Lanterna Verde não causa espanto; nem o fato de os alienígenas malvados terem escolhido uma cidade americana como ponto de partida de sua ofensiva à Terra.
O que causa surpresa, é que, dessa vez, um americano não salva somente o planeta sozinho, ele salva o universo.
E eu ouso apostar que o protagonista ainda encontra tempo para se perder numa sinuosa trama amarosa, enquanto combate sozinho todo o efetivo adversário...
The Continuing Story of Dry Ass
Era uma vez um fórum em que as estagiárias da juíza se achavam boas de mais para atender a porra do telefone...






