Friday, March 28, 2014

Tutorial ilustrado passo-a-passo: como colocar a camisinha

Vivia eu minha vidinha medíocre, onde nada de muito significativo, digno de ser aqui compartilhado, ocorria.

Quando, assim de repente, numa tarde nublada e fresca, interrompendo uma sequência de dias insuportavelmente quentes, a ponto de extenuar as glândula sudoríparas dos meus bagos, pois, como aqui já relatado, costumo suar muito no saco em dias quentes, um acontecimento memorável, na solidão cerrada em que sou obrigado a viver, se materializou.

Fui dar cumprimento a um mandado de prisão pelo não pagamento de pensão alimentícia, de um sujeito que devia para seus filhos infantes, nada mais nada menos, que oito mil reais. Sim, oito conto.

Dirigi-me até sua residência acompanhado de uma viatura da polícia militar. A casa do sujeito, obviamente não possuía campainha. Bati, então, diversas vezes minha esquálidas mãozinhas para chamá-lo. O sujeito apareceu. Dei-lhe ciência da ordem judicial, e de que ele seria conduzido para o presídio, onde sujeitos de origem afro-kid-bengalesca fariam farra em seu "fiofó" até que ele quitasse seu débito.

Ainda meio incrédulo, o sujeito indagou-me se haveria alguma alternativa, algo que ele pudesse fazer para evitar que seu traseiro fosse vilipendiado impiedosamente nos porões do medieval sistema penitenciário catarinense. Ao que respondi, na condição de "Longa manus" da Justiça: "não".

O sujeito respirou fundo, e se entregou aos policiais, não sem antes mandar um recado para sua ex-esposa "essa filha-da-puta quer foder comigo".

Moral da estória: use-camisinha, amiguinho.

Tuesday, November 12, 2013

O caso da "pepeca de ouro"

Quebro o silêncio que vem assombrando este blog, pois achei digo de compartilhamento as palavras mais a frente transcritas, que ouvi de uma das vidas que arruinei na última semana.

Em um dia ordinário, sob os flamejantes raios solares, fui citar um sujeito numa ação de divórcio; além de lhe dar ciência quanto a ação impetrada por sua ex-esposa, a ordem judicial também determinava sua intimação para que, a partir daquele instante, depositasse mensalmente, até o fim dos tempos, uma polposa pensão.

Meio relutante e incrédulo, o cara faz o seguinte comentário antes de, a muito contragosto, lançar sua nota de ciente na minha via do mandado: "pô, essa mulher quer carro, apartamento e agora pensão; ela deve tá achando que tem uma pepeca de ouro".

Anui silenciosamente com um aceno de cabeça. Franzi o cenho e vazei dali, em busca da próxima vítima do judiciário.

Thursday, July 25, 2013

Big Brother Brasil 2014

Naquela fria manhã de inverno meu couro cabeludo precocemente nu era castigado pela gélida brisa que soprava do atlântico.

Como a residência indicada no mandado não possuía uma campainha, bati minhas esquálidas palmas e berrei "ô, de casa", me sentido o maior paspalhão do pedaço.

Aparece um sujeito na janela; me identifico como "longa manus" do Poder Judiciário; ele vem até o portão.

De posse de um mandado de citação em uma ação de execução de alimentos, iniciei meu monologo padrão, que passo a sintetizar: sua ex-mulher havia ingressado com aquela ação, cujo objeto era cobrar dezesseis mil reais de pensão alimentícia em atraso, e mais, se ele não pagasse a grana em três dias, ou apresentasse alguma justificativa muito boa (tipo: não paguei pois fui abduzido por alienígenas oriundos dos confins do universo), seria decretada sua prisão.

Nesse tipo de situação, terminado o meu discursinho, normalmente o sujeito tenta se justificar pra mim, contando toda a história de sua vida até culminar naquele fatídico momento, na esperança de que eu tenha qualquer poder na condução do processo. Eu não tenho, e sempre acabo tendo que explicar que sou um reles "carteiro do fórum", que apenas cumpro ordens judiciais e nem conheço os processos, bla bla bla.

Mas não o sujeito dessa história, pois, uma vez cientificado dos termos do processo, ele se resumiu a decretar "eu vou matar essa filha da puta".

Nos despedimos. Eu havia arruinado mais uma vida.

Monday, June 10, 2013

Compra coletiva de ingressos de cinema

Até algum tempo, eu considerava ir ao cinema com minha amasia Kathieky um programa prazeroso. Sentar-me diante da telona e, por cerca de uma hora e meia, esquecer-me de como a vida é injusta e sem sentido. Mesmo aqueles filmes escrotos, em que os Estados Unidos salvam o mundo mais uma vez, enquanto todas as outras nações assistem inertes à possível aniquilação da raça humana, conseguiam ser legaizinhos.

Não mais. As salas de cinema foram invadidas por debiloides deglutidores de pipoca. Criatura estúpidas para quem o que esta sendo projetado na tela não faz a menor diferença. Aliens atacam a "América"? Uma criatura monstruosa fugiu do laboratório e aterroriza o povo "americano"? A cidade de Nova York está sob ataque terrorista? Os debiloides não se importam; o que eles querem mesmo é conversar ruidosamente, bater com suas patas imundas no banco da frente, mexer na porra do celular a cada 5 segundos, enfim, qualquer atitude que denote o seu total desprezo pelos demais seres humanos. "Eu sou mais eu, o mundo gira ao meu redor", se orgulham os debiloides.

Nos dias de hoje, é simplesmente impossível ir ao cinema, com o intuito de assistir ao filme, e não ficar completamente irritado. Acaso eu tivesse porte de arma, todas as minhas idas ao cinema terminariam em derramamento de sangue. Nego bateu com o pé na minha poltrona? BANG! Nego resolveu checar o facebook no meio do filme? BANG! Nego acha que conversar sobre temas variados durante a sessão é considerada uma conduta socialmente aceita? BANG!

Infelizmente, devido à minha personalidade psicótica e transtornada, foi-me negado o porte de uma arma de fogo. Quem sabe um dia...

Defensoria Dativa

Não tenho nenhuma história engraçada pra contar, meus dias cumprindo "mandaTos" judiciais seguem insossos.

O único acontecimento digno de nota, que relato apenas para quebrar a sequência de vários dias sem atividades neste malfadado blog, foi esses tempos, quando cheguei na casa dum sujeito para citá-lo numa ação de alimentos.

Na condição de bastião do judiciário - o longa manus da justiça, que se fode por ai ouvindo desaforo sob o sol escaldante, enquanto os deuses estão confortavelmente sentadinhos em seus gabinetes aveludados e climatizados - introduzi-me ao pobre sujeito. Disse-lhe que, a partir daquele instante, ele deveria pagar 30% de seus rendimentos líquidos (inclusive férias e 13o) a título de alimentos para seu filho infante; caso contrário, ele seria preso e levado para uma das unidades do sistema prisional catarinense, onde uma horda de detentos faria uma festa em sua cavidade rectal.

Em resposta aos termos do mandado que acabará de tomar ciência, o pobre sujeito disse: "mas que filha duma puta, essa mulher; eu pago tudo pra esse guri ai; mas ela vai ver só, vô pêga um devogado e vô mête no cu dela".

Sob o peso daquelas sábias palavras, despedi-me sem dizer nada e parti para o próximo endereço onde eu iria arruinar mais uma vida.

Thursday, May 2, 2013

Master / Slave

Eu, pessoalmente, detesto ter que circular pelo Olimpo. Aquele monte de gente estúpida, para quem o Sodalício nada mais é que um evento social, onde se desfila com camisas polo da Tommy Hilfiger ou caras excessivamente maquiadas. Apesar de perto do céu, aquele lugar é uma visão do inferno para as pessoas sensatas e humildes.

No entanto, possuo um(a) informante lá dentro, que chamaremos de Garganta Profunda, o (a) qual sabe de tudo que se passa naquele antro.

Dia desses, conversávamos sobre os últimos julgados do Tribunal de Haia, quando Garganta Profunda me confidenciou uma história escabrosa.

Era uma vez, em um pedacinho de terra perdido no mar, no topo do Monte Olimpo, um gabinete forrado de veludo e com uma vista panorâmica para o Oceano Atlântico. Em uma mesa de mogno, decorada com um bezerro de ouro e uma cruz invertida, um DEUSembargador papeava com uma alta autoridade da administração estadual, uma tiazinha.

Abre parênteses

Pra quem não sabe, DEUSEmbargadores são bons demais para se servirem do próprio café. Toda vez que Sua Majestade Real está afim de uma cafeinazinha, Ele toca uma pequena sineta e uma cena muito constrangedora se desenrola: um pobre sujeito entra na sala equilibrando bules e xícaras sobre uma bandeja de metal e serve o café conforme Suas preferências pessoais.

Fecha parênteses

Enfim, tocou-se a sineta, e o pobre sujeito entrou no gabinete. Duas pessoas para servir, Sua Alteza Sereníssima e a tiazinha. O pobre rapaz do café serviu primeiro a velhinha e depois o Ilustríssimo.

Passado algum tempo de conversa, a tiazinha foi embora. Sua Alteza Imperial, então, tocou sua gloriosa sinetinha. Entra em cena, novamente, o pobre rapaz equilibrista de café. Mas Ele não queria café. Desenrolou-se o seguinte diálogo:

"Que diabos tu pensa que esta fazendo?!", questionou o DEUSembargador, para quem o rapaz do café era apenas um relés serviçal, indigno de educação e cortesia.
"Como assim, seu dotô?!", respondeu temeroso o pobre sujeito.
"Viestes aqui no meu gabinete e servistes minha visita primeiro?!", vociferou a autoridade.
"Ai, seu dotô, é que me pareceu de bom tom servir primeiro a tiazinha, que além de visita, era mulher e velha.", tentou argumentar o indefeso rapaz.
"Não me interessa, da próxima vez, se nesta sala estiver eu e deus, você vai me servir primeiro!", sentenciou.

Garganta Profunda dá fé do relato e eu não duvido. No que concerne a relação de servilismo, a única diferença entre o Sodalício e o período feudal, é que o servo que quebrar seu juramento de fidelidade aos nobres, ao invés de ser açoitado em praça pública, perderá seu emprego e não conseguirá mais pagar as parcelas do seu carro tunado, nem pagar a encomenda de camisas polo da Tommy Hilfiger que aquele seu primo que foi pra Miami vai trazer. Ou seja, cairá na mais completa desgraça e descrédito.

Tuesday, April 30, 2013

Beats by Dr Bilontra

Ultimamente, nas poucas oportunidades em que fui obrigado a sair de casa e circular incógnito pelas ruas da cidade, não pude deixar de notar uma alarmante nova tendência entre a galera desmiolada: usar gigantescos fones multicoloridos na cabeça.

Sério, qual o sentido? Os "antigos" e pequeninos fones de ouvido já não são suficientes? Será que a cabeça de algumas pessoas é tão inútil que só serve mesmo para virar estandarte de alguma empresa ?

"Ai, Capitão, você é mesmo uma pessoa rabugenta e amargurada, usar esse tipo de adereço é a última moda no além mar", questionaria o leitor revoltadinho; ao que eu responderia "e se enfiar uma cenoura no rabo fosse moda, você assim o faria?!"; ao que alguns leitores deste blog replicariam "óbvio".

Mas a sexualidade duvidosa das pessoas que perdem tempo lendo isto aqui não é o ponto; o ponto é que os boizinhos do capitalismo, que compõem 99,99% da população brasileira, aderem sem titubear a qualquer modismo por mais estúpido que seja.

Há um ano, se alguém saísse na rua com um fone desses na cabeça, com certeza seria motivo de olhares desconfiados e deboche. Desde então tudo mudou, e os mesmos que antes debochavam agora desfilam orgulhosos com seu novo brinquedinho.

Friday, April 26, 2013

Strange Case of Dr Bilontra e Mr Baixaria

Até ontem, achava eu que o curso de direito atraia absolutamente todos os descerebrados egressos do ensino médio.

Abre parenteses

Não, eu não estou dizendo que todos os estudante e profissionais do direito sejam babacas. Há exceções à regra. Alguns até que são "legaizinhos". Mas o inexistente leitor que conhece o meio jurídico, há de convir comigo que a proporção 'babacas/caras-legais' nas cadeiras do curso de direito não é muito favorável.

Fecha parenteses

Relata minha estimada Kathiely, com quem possuo laços matrimoniais, ter ido ao médico, o qual chamaremos de Doutor Bilontra, para obter um atestado que lhe autorizasse a frequência em aulas de natação. Tal atestado é se suma importância, é uma exigência da escola de natação, que, com razão, não quer suas piscinas infestadas por pessoas com perebas pustulentas na pele.

No entanto, ao invés de analisar a pele de Kathiely em busca de anormalidades (que ele certamente não encontraria, pois a cútis de Kathiely é alva e macia, não possuindo absolutamente nenhuma imperfeição), o supramencionado Doutor Bilontra se resumiu a perguntar: "você possui algum problema de pele?", ao que Kathiely obviamente respondeu "não". Satisfeito com esta singela resposta, o retromencionado Doutor Bilontra sacou seu bloquinho e atestou que minha estimada Kathiely estava apta a sacolejar seu esguio corpo na água.

Dum sujeito formado no curso de direito, tal atitude seria compreensível, pois, como se sabe, a desídia e a negligência são marca registrada daqueles que ostentam orgulhosamente em suas paredes um diploma de "baixaria de direito". Mas vindo de alguém que teve que efetivamente estudar pra passar no vestibular, e ainda ficar sete anos em uma faculdade onde a frequência e as notas são levadas em consideração para se obter um diploma; pô, sacanagem, Doutor Bilontra.

Estarão os "baixarias de direito" contaminando toda a sociedade brasileira com sua preguiçosa desidiosidade?" (desculpem o pleonasmo) Se sim, estamos todos perdidos!

Han shot first!

Dia desses, não sei ao certo por qual motivo, resolvi dar uma lidas nas publicações mais antigas deste malfadado blog. Nem bem havia terminado a primeira página, senti profunda vergonha de que alguém já pudesse ter lido aquele monte de asneiras. Deus, eu era mesmo um sujeito amargurado, um pseudo-rebelde sem causa.

Assim, tal qual George Lucas, resolvi alterar ou suprimir parte de minha gloriosa obra.

Não que alguém se importe, obviamente. Mas tal medida se faz necessária para diminuir as chances de alguém "me meter no pau"; e, acaso eventual ação de indenização por danos morais c/c pensão vitalícia chegue ao Olimpo, talvez os Deuses Togados sintam um pouco de compaixão pela minha pobre alma.

Friday, April 19, 2013

MM. Ex. Sr. Dr. Wilson

Esses dias, eu estava lá no fim do mundo exercendo meu nobre munus, que consiste em arruinar a vida das pessoas, quando recebo uma ligação de Wilson, antigo personagem deste blog.

Wilson, que mora no interior do estado, onde as casas são em estilo enxaimel e as vaginas são mais áridas que o deserto do Sahara, desejava um favor. Wilson narrou via telefone seu drama particular. Ele havia feito um concurso para Desembargador e desejava recorrer de umas questões para garantir sua sonhada tetinha vitalícia junto ao polposo erário. Bem da verdade, Wilson tinha obtido nota suficiente para ser aprovado e o que ele queria mesmo, era disseminar o caos tumultuando o certame. De qualquer sorte, era necessário que eu me dirigisse até o Olimpo do Judiciário, onde residem os Deuses e seus aduladores, e obtivesse cópia da prova por ele realizada.

Parecia fácil.

O Monte Olimpo é um lugar mágico, formado por duas grande montanhas de aço, concreto e vidro. Em seu topo, os Deuses, seres iluminados, residem e emitem seus julgamentos. O lugar também é lar de criaturas desprezíveis, um subtipo dos "baixarias de direito", que parasitam os Deuses, e se acham imbuídas de todo o conhecimento jurídico do mundo. Mais que possuir tirocínio jurídico, para ser aceito entre os parasitas, é necessários usar camisas polo da Tommy Hilfiger e dirigir carros tunados pagos pelo papai.

Enfim, já no lobby do Olimpo, vários parasitas desfilavam pomposos, desejosos de um dia ascender ao topo. Subi sofregamente os 11 andares. Nem bem sai do elevador, vi que uma fila se estendia por vários metros, inciando-se em frente a uma porta intitulada "Comissão de Concurso".

Como estava próxima do topo, regozijei ante a possibilidade de que não haveria vermes por perto. Ledo engano. Aquela fila era composta exclusivamente por outro subtipo de "baixarias de direito", os vermes que são tão assoberbados de si mesmos que sonham em virar "autoridade", a fim de que possam tratar os outros como lixo, vulgo "concurseiros". Pensei em me jogar da janela.



Naquele momento, cercado de vermes, cheguei até, em pensamento, a maldizer pobre Wilson. Mas não, Wilson é boa gente e precisava da minha ajuda, e se tem alguém que merece ficar milionário mamando nas suculentas tetas do governo, era Wilson. Por hora, resolvi não me jogar.

Prosseguindo. Como é costumeiro quando se reúnem mais do que dois vermes no mesmo ambiente, inicia-se uma competição velada para ver quem é o melhor. Normalmente ambos são uns merdas. Mas enfim, as discussões de cunho jurídico-filosófico que não levam a lugar nenhum já haviam iniciado. No caso em comento, discutia-se o fim do prazo para recorrer. Uns sustentavam que seria no dia seguinte, sexta-feira, outros, na segunda-feira. Nisso, um japinha que era o próximo da fila entrou na Comissão, enquanto a discussão acalorada continuava do lado de fora. Passados alguns minutos, o retromencionado Japinha saiu da sala e informou, na sua ingenuidade, que ele teria indagado à comissão, e que a informação oficial seria de que o prazo era até segunda.

Pobre Japinha, não sabe ele que os vermes detêm todo o conhecimento jurídico do mundo?! Em sua soberba ignorância, um verme baixaria em direito está sempre certo! Obviamente, um dos vermes, vociferou em resposta: "mas o edital do concurso prevê apenas dois dias de prazo, que acabam amanhã. O edital é a lei do concurso. E se a comissão estiver errada? Serei eu punido pela burrice deles?!".

Findo seu discursinho, o sujeito lambeu os lábios com sua língua peçonhenta e arregalou os dentes num sorriso macabro, certo de que era o melhor ser humano naquele corredor.

Tive que me conter para não pular ali do 11o andar. Ser esmagado contra o concreto não podia ser pior que ter que ouvir esse tipo de coisa. Mas não, só eu poderia ajudar Wilson. Eu tinha que conseguir. Wilson merece ficar milionário, e, por tabela, arranjar um cargo de parasita pra mim.

Após cerca de uma hora e meia naquela fila, durante os quais várias vezes questionei o sentido da vida, finalmente consegui o documento que iria catapultar Wilson para a classe A+.

Mandei para Wilson o negócio e voltei pra casa.

Ainda meio tenso e entristecido pela miséria humana, acessei o Red Tube para dar uma relaxada, e, enquanto eu assistia uma esmilinguida garota ser sodomizada por 10 caras, tive um insight, e vi no rosto daquela pobre menina, o rosto de todos os vermes que eu havia visto no Olimpo. Pobres diabos, eles são mais dignos de pena que de desprezo, seus pequeninos sonhos de ter o carro mais tunado da rua, ou a mulher mais siliconada do prédio. Não sabem que isso é tudo uma ilusão? Naquele momento, ainda com as calças arriadas, esqueci de meu ódio e desejei apenas poder abracá-los todos e mostrar a eles o verdadeiro sentido da vida.

Tuesday, December 11, 2012

O monólogo do gaúcho

Comprovando minha teoria de que gaúchos falam demais, normalmente compartilhando informações que não me interessam, eis o que me aconteceu ontem:

O mandado era de intimação. A guria, uma gaúcha, tinha que apresentar uma documentação em juízo, no prazo x, sob pena de ser processada criminalmente.

Fui no endereço, bati palmas, pois a casa não tinha campainha, veio a moça e eu regurgitei meu discursinho. Em qualquer outra residência, a pessoa teria assinado a parada e eu teria vazado, mas não na casa de uma gaúcha.

Ela passou então a contar toda sua jornada de vida até aquele momento, enquanto eu, silentemente, assentia com a cabeça.

Passadas algumas horas, a história parecia chegar ao fim, e eu sentia que a conclusão estava próxima; mas não, o monólogo do gaúcho nunca tem fim, ela ainda tinha uma informação muito relevante para compartilhar com um oficial de justiça que ela acabará de conhecer:

"(...) meu dia tá terrível, acabei de descobrir que meu namorado tá me traindo, e agora isso (...)"

Lá no Rio Grande não é assim

Se tem um povo que gosta de falar, é o gaúcho. Eu, de outra banda, sou tão inapto ao convívio social, que evito a qualquer custo o contato com outras pessoas.

Lá onde eu trabalho, em que pese solo catarinense, 99% da população é composta de sujeitos oriundos do Rio Grande.

Assim, qualquer intimaçãozinha, por mais simples que seja, e que em outras situações demoraria 60 segundos para ser cumprida, na casa de um gaúcho pode se arrastar por horas sem fim; e, muitas vezes, a "conversa" acaba tomando os rumos mais inimagináveis.

Dia desses, lá fora eu citar um gaudério. Normalmente, eu chego na casa da pessoa, toco a campainha, vomito meu discursinho padrão, a pessoa fica indignadazinha, mas acaba assinando a parada e eu me vou. Coisa que, como dito acima, dura só alguns minutos. Mas não na casa de um gaúcho. Primeiro o cara vai te contar toda a história da vida dele até chegar no dia em que os fatos ocorreram, como forma de justificar suas ações. Em seguida, passará a desqualificar o autor do processo, com argumentos do tipo "lá no Rio Grande não é assim, nesta cidade só tem picareta, blablabla". Como sou um cagalhão, normalmente fico ouvido passivamente a toda essa chorumela.

Então, após me identificar e ler os termos do mandado, lá se foi o gaúcho contar toda sua trajetória de vida e maldizer o autor. Contudo, não satisfeito, passou, em seguida, a desqualificar o advogado do autor:

"(...) esse cara aí, gasta todo o dinheiro dele com puta, nada contra, por que eu também gosto duma putinha de vez em quando, até por que, quando o cara chega numa certa idade, só indo na zona mesmo pra comer um negócio melhorzinho, mas esse sujeito ai só pega aquelas puta barriguda, daquelas bem acabadas mesmo (...)"

Enquanto isso, eu pensava para comigo mesmo "Oh, deus, mate-me agora..."

Wednesday, September 12, 2012

Bolas de Aço

O sol inclemente irradiava seus nocivos raios sobre meu fatigado e esquálido corpo. Uma pequenina, porém gélida, gota de suor lentamente escorria por minha bola direita. Aquela fugaz sensação de refrescância em meu saco escrotal trazia algum alento na íngreme subida. Porém, a cada passo dado, mais eu tinha certeza de que não chegaria consciente ao topo daquele morro. A qualquer momento um mal súbito acometeria meus sentidos, eu desfaleceria ali mesmo, meu corpo rolaria desgovernado morro abaixo. Em seguida, meus bolsos seriam saqueados por favelados esfomeados.

Felizmente, consegui chegar ao endereço indicado e, com minhas últimas forças, bati palmas, e esperei algum sinal. Tinha que ter alguém em casa. Eu não queria ter que voltar naquela merda de lugar.

Uma mocinha apareceu na janela. Era a pessoa procurada. Ainda meio esbaforido, iniciei meu monólogo padrão monotonicamente.

Em resumo, a guria tava sendo intimada para ir numa audiência.

"Ah, mas do que que é isso?", a mocinha perguntou.

"Olha, minha senhora, eu sou um reles carteiro do fórum, um mero entregador de intimações, um portador de péssimas notícias; o processo eu não conheço. Contudo, pelo título da ação, presumo que você tenha feito um boletim de ocorrência por agressão contra fulana de tal, sendo que referido procedimento foi encaminhado ao fórum, onde é realizada uma audiência de conciliação", respondi.

"Ah, ela me bateu mesmo, mas eu também dei umas porradas nela. É que ela chutou meu cachorro, sabe", ela comentou com a maior naturalidade.

"Deus, toda a necrosada máquina da justiça foi acionada por que alguém chutou o cachorro do vizinho", pensei para comigo, "que merda de judiciário", foi o que eu deveria ter falado, mas apenas soltei um mecânico "assina a minha via, por favor. Obrigado e boa sorte."

Putanheiro-Mor

Houve um tempo em que eu trabalhava com um sujeito singular, Putanheiro-Mor, cujas supostas façanhas sexuais eu costumava relatar em meu antigo blog.

Lembro-me com saudosismo de seus ensinamentos de cunho erótico.

Até seu vocabulário era imbuído de sensualidade, de onde se tirava expressões como:

- Essa banana já deu cacho: utilizada para se referir a uma mulher com quem já se tenha praticado conjunção carnal.

- Molhar o bigode: referência ao ato de praticar sexo oral em uma mulher.

O que terá sido de Putanheiro-Mor? Será ele ainda um pacato burocrata que, ao cair da noite, sai pelas ruas de Isla Pequena a procura de sua próxima vítima? Terá sua lascívia doentia sossegado?

Onde estás, velho mestre?

Tuesday, September 11, 2012

Contos da Favela do Siri

Numa tarde dessas, moradores da favela do siri que olhassem por suas janelas, veriam um rapaz branco, claudicante e desmilinguido passando em frente de suas casas.

No que eu dobrei a primeira esquina, vi um casalzinho vindo. Um maloqueiro e uma guria loira de uns 16 anos. "Que lastima", pensei, "qual a doentia atração que esses vermes exercem sobre belas mocinhas adolescentes?". Perturbou-me também o fato de que o sujeito vinha tentando enrolar alguma coisa nas mãos enquanto andava, porém sem sucesso. Ele teve que parar e se encostar num poste para concluir sua tarefa, bem no momento em que passei por eles. O sujeito tava enrolado um cigarrinho do capeta, bem no meio da rua, em plena luz do dia.

"Que merda de lugar", pensei. Não é a toa que a mãe natureza, lentamente, dia após dia, vem encobrindo aquela localidade com suas areias.

Meu objetivo, naquele lugar desprezível, era justamente intimar um sujeito que está sendo processado criminalmente por porte de drogas.

Entrei na ruela indicada no mandado e comecei a procurar pelo respectivo número. Na favela do siri, a numeração das ruas não faz o menor sentido, e achar uma casa específica lá é sempre um martírio. Esbaforido, cheguei ao final do beco, sem ter localizado a residência apontada, quando vi a bizarra cena que me inspirou a escrever estas medíocres linhas.

Um sujeito, tetraplégico, em sua cadeira de rodas, numa rodinha de maconheiros. Cada um dava uma pitada na porcaria e passava pro próximo maloqueiro. Quando chegava a vez do rapaz entrevado, um solicito amigo gentilmente colocava o baseado em sua boca e esperava ele tragar, passando então pro próximo.

Não soube ao certo o que pensar daquilo. Talvez eu devesse ter jogado uma granada no meio daqueles caras, mas o preço da granada anda caro, então achei melhor esperar por outra oportunidade, quando houvessem mais maconheiros reunidos.

Fui pra casa e tomei várias cervejas, e, antes de bater violentamente e sem qualquer motivo na minha mulher, pensei: "como a maconha é uma substância terrível que vem arruinando as famílias brasileiras".

Monday, September 3, 2012

Eu tô bem

Eu tinha acabado de chegar em casa após uma extenuante tarde de trabalho. Ansiava por me sentar no sofá e jogar videogame para esquecer da vida medíocre, de cara branco de classe média, que levo.

Mal eu iniciará de desamarrar o calçado. O telefone toca; era do fórum; eu estava de plantão.

Era um alvará de soltura e mandado de citação. O mesmo sujeito deveria ser libertado do cárcere e citado em uma ação penal. O cara tava recolhido no Hospital de Custódia, que é o "presídio dos malucos".

Amarrei novamente o tênis; entrei no carro; dirige-me até o ergástulo; apresentei-me ao carcereiro; levaram-me até o calabouço.

O responsável pediu pra mim aguardar numa salinha, era como um parlatório, onde advogados tem entrevista reservada com seus clientes enjaulados.

A porta se abriu, entrou um sujeito de uniforme laranja acompanhando de um agente prisional. Logo já vi que o cara tava chapadasso, totalmente dopado.

Apresentei-me e iniciei meu longo monologo a fim de que todas as formalidades legais fossem preenchidas. Ocorre que, a cada palavra que eu dizia, mais eu constatava que o cara estava em outro planeta, totalmente alheio ao que acontecia ao seu redor.

Interrompi minha fala e olhei naqueles olhos vazios, procurando alguma resposta, algum sinal de que o cara estava me entendendo.

Num lampejo de luz, percebendo que eu esperava alguma reação, o cara soltou um débil "eu tô bem, eu tô bem".

"Deus", pensei, "que merda de emprego". Continuar era inócuo. "Assina essa parada aqui", falei, e lhe entreguei a contrafé.

Voltei para casa. Joguei videogame mais avidamente do que nunca.

Friday, July 13, 2012

Pegadinha do Elevador

Antes de entrar no elevador, aguardar as pessoas que estão dentro sairem. Quero acreditar que este preceito seja senso comum; básico e seguido em todas as nações em que há elevadores; norma de boa convivência que garante a coesão social e que é um dos sustentáculos da sociedade moderna, sem a qual tudo ruíria e voltariamos ao estado de auto-tutela. Mas não no pardieiro que atualmente resido. Veja que moro num prédio com 192 apartamentos, e é comum encontrar outras pessoas no elevador. Mas as outras antas que aqui residem parecem desconhecer a regra supracitada, mal abre a porta do bagulho e nego já vai entrando... Enfim, quem se importa...

Sunday, July 1, 2012

UFC 148 ao vivo

Então o Grande Irmão decidiu que o UFC é a moda do momento. Assim, todos os caras brancos de classe média, cuja única coisa na cabeça é o desejo de ter uma caminhonete maior que a do vizinho, devem se sentar em frente a teletela e se entusiasmar com dois brutamontes se digladiando até que um deles fique inconsciente. E ai daquele que externar seu desgosto com referido evento, por certo será excomungado.

"Como assim tu não gosta do UFC?! Ver dois trogloditas se espatifando é a coisa mais divertida de todos os tempos!", é o que eles diriam em resposta, com certo ar de desdem.

E nenhuma aglomeração humana é poupada acaso haja uma televisão no recinto. Pode ser casamento, batizado, aniversário, logo algum desmiolado ira bradar "ai, bota no UFC". E até que um dos paquidermes de sunga vá ao chão, todas as atenções estarão voltadas para a telinha.

50 mil anos de evolução desde a assessão do homo sapiens para nos sentarmos na frente de uma TV e vibrarmos a cada soco certeiro.

A triste realidade é que o UFC é o maior espetáculo homo-erótico de todos os tempos. Nem na Grécia antiga se via tanta viadagem. E imagino que nem em filmes pornográficos voltados para o público pederasta se veja tanto "rala-e-rola" entre dois caras.

Enfim, quem se importa? A total falta de qualquer outra característica além da violência gratuita é um belo divertimento para os olhos e sedativo para o cérebro de idiotas de todas as idades.

Monday, June 25, 2012

Eram os deuses bilontras?

"Prometheus" esta nos cinemas. É legal, já fui assistí-lo duas vezes.

Vale mencionar que, surpreendentemente, o cara preto não só não é o primeiro a morrer, como também acaba salvando o dia. Digno de nota também é a ausência de Michelle Rodriguez num filme dessa natureza. Pra quem não sabe, Michelle Rodriguez é aquela que faz papel de latina machona em 90% dos filmes produzidos pelo Tio Sam. Ela é tipo um Antonio Fagundes do cinema, sempre "interpretando" o mesmo personagem em tudo que faz.

Enfim, Prometheus é legal. "Ah, mas é em 3D?!", os debeis-mentais perguntam em coro. Sim, é em 3D.

Ostentação

Estive meio ausente. Mudei-me para a periferia, onde caras brancos de classe média dirigem caminhonetes financiadas em 60x e sonham em um dia ir para Miami comprar roupas de marca. Agora moro na região do continente, em um condomínio com dois blocos repletos de debeis-mentais.